segunda-feira, 18 de maio de 2009

Um pouco de Existencialismo

Em “Esboço...” Sartre propõe uma abordagem fenomenológica para uma possível “teoria das emoções”.

Sartre impõe seu próprio background, formado sob influência de Kant, Hegel, Heidegger e Husserl, na composição de uma teoria que, em síntese, conclui que a emoção é um fenômeno da crença. Portanto, é necessária uma experiência prévia, formadora da crença, para que à emoção seja dado significado. Significado este necessário para a própria definição de emoção. Para Sartre, há clara distinção entre a emoção enquanto comportamento ou conduta, enquanto sinal fisiológico e enquanto entidade completa.
Pode-se por exemplo, ao sentirmos medo, parar de fugir, mas não parar de tremer, se o medo ainda está presente. Nesse caso, cessar a conduta não evita a emoção. Cessa a conduta, mas o sinal fisiológico ainda se mantém. Pode-se simular alegria ao receber um presente do qual não necessariamente gostamos mas temos necessidade social de demonstrar gratidão – esboçamos aí não emoção, mas uma conduta que visa se adaptar a uma determinada situação. De fato, não estou alegre, apenas mimetizo a conduta.
Conforme Sartre, “...a emoção não é simplesmente representada, não é um comportamento puro: é o comportamento de um corpo que se acha num certo estado; o simples estado não provocaria o comportamento; o comportamento sem o estado é comédia; mas a emoção aparece num corpo perturbado que mantém uma certa conduta. A perturbação pode sobreviver à conduta, mas a conduta constitui a forma e a significação da perturbação. Por outro lado, sem essa perturbação a conduta seria significação pura, um esquema afetivo.”

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